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História
Casa da Eira

A Casa de Juste situa-se na freguesia do Torno, a 60 Km a norte do Porto e a 15 Km de Guimarães, no concelho de Lousada. Este concelho integra a Região do Vale do Sousa, Entre Douro e Minho, sendo o rio Sousa, que lhe dá o nome, um afluente do Douro.
A origem da propriedade de Juste remonta aos primórdios da nacionalidade portuguesa havendo registos desde o início do século XIII, altura em que a Villa de Juste era constituída por sete casais, um dos quais, pertencente ao filho de D. Elvira Vasques. (Lopes, 2004, 360). Esta informação, retirada das inquirições realizadas no tempo de D. Afonso II, em 1220, é extremamente importante para compreender algumas características da Casa de Juste.
A primeira fase de ascensão da Casa de Juste terá ocorrido no século XV, data a que correspondem, segundo os estudos arqueológicos efectuados, grande parte das pedras utilizadas na construção do edifício principal. O acréscimo de importância da casa, que terá passado nesta altura a habitação senhorial, no ramo dos Coelho, supõe-se relacionada com a criação do Senhorio de Felgueiras, doado por D. João I a Fernão Coelho, descendente de Egas Moniz, e que incluía as terras de Felgueiras, Vieira e Lousada (Machado,  1981, 160). Sucedendo o seu filho mais velho no Senhorio, terá sido engrandecida a propriedade de Juste para um outro filho, Rodrigo de São Paio e Melo de quem descendem os actuais proprietários. (Machado, 1981, 161).
Pertencendo no século XVI ao ramo Cunha Coutinho Ozório, por casamento de Vicencia Borges de Sequeira com Paulo da Cunha Ozório, a casa de Juste inicia uma nova fase no século XVIII com o ramo Vieira de Melo, quando, em 1754, D. João Osório Pinto da Fonseca, então proprietário, recebe de D. José I a carta de armas. Nesta altura terão sido feitos alguns melhoramentos na Casa, incluindo a construção da capela.
No caso de Juste, as diversas propriedades que foram sendo acrescentadas à Casa e que vêm referidas no Inventário da Casa de Juste, de finais do século XIX, princípios de XX, foram sendo transferidas para vários sucessores. Nomeadamente, no século XX, quando, com o fim da Monarquia, foram extintos todos os direitos existentes sobre as terras, tais como morgadios e foros, sendo neste período a propriedade dividida por onze herdeiros. Porém, o núcleo – a residência principal e os terrenos circundantes mantiveram-se no que se constituiu como a actual quinta, que seguiu nesta família perpetuando uma condição social através da instituição Casa. Esta posição social da Casa de Juste prolongou-se muito para além do regime feudal e senhorial que implementou esta situação, sendo ainda hoje notório um grande respeito pelos seus proprietários, pela sua família e pela sua actividade.
Em 1991 a Quinta da Casa de Juste, é doada por  Gonçalo Couto Vieira de Mello da Cunha Coutinho Osório aos seus filhos, ficando seus únicos e actuais proprietários, Ana e Fernando Guedes.

Inicia-se, então, um projecto global de intervenção na propriedade visando a recuperação do património histórico e arquitectónico, a dinamização e sustentabilidade da quinta e a manutenção e transmissão às gerações futuras de um património com mais de quinhentos anos de história, valores e tradições.

     
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